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East New York: Novas Moradias e Oportunidades de Emprego na Região

East New York

Projeto de moradia acessível pode transformar East New York, no Brooklyn

Moradores de East New York, no Brooklyn — bairro historicamente afetado pela saída de famílias brancas,
altos índices de pobreza e criminalidade — começam a vislumbrar um novo cenário. A recente aprovação de mudanças no
zoneamento urbano abriu caminho para a construção de cerca de 1.000 unidades de moradia acessível,
além de novos serviços e equipamentos públicos próximos ao importante polo de transporte da
Broadway Junction.

Mais da metade das unidades fará parte do complexo habitacional Herkimer-Williams e será destinada a
moradores da região com renda de até 50% da renda média local, segundo o gabinete da vereadora
Sandy Nurse. Esse limite equivale a aproximadamente US$ 73 mil anuais para uma família
de três pessoas.

Compromissos sociais e desenvolvimento econômico

Além das moradias, os desenvolvedores assumiram compromissos voltados à
redução do deslocamento de moradores e à ampliação de oportunidades econômicas para a comunidade local.
O projeto inclui espaços comerciais para pequenos negócios, áreas destinadas à manufatura leve e a criação de um
Instituto de Economia Verde, focado na formação profissional de residentes para atuar no setor de
indústrias sustentáveis da cidade.

Para Sandy Nurse, o empreendimento representa uma mudança de paradigma no desenvolvimento urbano do bairro.
Este projeto constrói junto com a comunidade, e não para substituí-la”, afirmou a vereadora em nota oficial.

A aprovação ocorreu em uma sessão do Conselho Municipal de Nova York, em 19 de dezembro, junto com a
autorização de um novo zoneamento para a área. Dados da prefeitura indicam que mais de
20% dos moradores de East New York vivem abaixo da linha da pobreza, além de o bairro registrar índices
de criminalidade violenta superiores à média da cidade.

Prioridade para moradores e negócios locais

Como parte do acordo, os incorporadores se comprometeram a garantir que
ao menos 50% das contratações de mão de obra sejam feitas localmente. Além disso,
30% ou mais dos contratos deverão ser destinados a empresas pertencentes a minorias e mulheres,
sendo metade delas negócios da própria região.

Segundo Bill Wilkins, diretor executivo da Local Development Corporation of East New York, esse modelo
amplia o impacto dos investimentos. “Quando o dinheiro circula dentro da comunidade, ele gera valor várias vezes.
É assim que se combate a pobreza
”, afirmou.

O gabinete da vereadora também intermediou um aporte adicional de US$ 1 milhão por parte dos
desenvolvedores para apoiar iniciativas contra o deslocamento de moradores, conectando famílias a serviços jurídicos
e organizações especializadas.

Moradias pensadas para famílias

Para incentivar a permanência das famílias no bairro, 65% das unidades terão dois ou mais quartos.
Durante uma audiência pública, Vivian Liao, executiva da incorporadora Totem, classificou o projeto como
uma “oportunidade geracional”.

Estamos transformando áreas subutilizadas em moradias acessíveis, espaços abertos, possíveis instalações da CUNY,
novos empregos e oportunidades para pequenos negócios
”, destacou.

Apoio político e contexto histórico

O projeto recebeu elogios do então prefeito Eric Adams, que ressaltou a importância de investir em
bairros de classe trabalhadora. “Essas comunidades formam o coração e a alma de Nova York”, afirmou.

O histórico de dificuldades de East New York, no entanto, ainda pesa. Em seu livro
How East New York Became a Ghetto, o urbanista Walter Thabit descreve como políticas públicas e
práticas discriminatórias dos anos 1960 contribuíram para a degradação social e econômica da região.

Dados recentes do Furman Center, da Universidade de Nova York (NYU), mostram que a renda média das famílias
no bairro foi de US$ 51.220 em 2023, cerca de 36% abaixo da média da cidade. A taxa de pobreza chega a 22%,
enquanto os índices de crimes graves permanecem acima do padrão nova-iorquino.

Críticas e expectativas

Apesar do apoio institucional, o projeto enfrenta resistência de parte da comunidade. O
Brooklyn Community Board 5 votou unanimemente contra a proposta, apontando riscos de deslocamento de
moradores — uma preocupação recorrente em bairros que passam por grandes transformações urbanas.

Ainda assim, defensores acreditam que o empreendimento pode marcar um ponto de virada. Para Bill Wilkins,
East New York já viveu tempos difíceis. Agora, o desafio é garantir que a comunidade participe e se beneficie
dos tempos melhores que podem vir
”.

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